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O planeta na quarentena com o coronavírus – Fotos

Imagens revelam formas geométricas enquanto parte do planeta entra em quarentena para combater o novo coronavírus.

Aviões de passageiros da Delta são vistos estacionados devido à redução no número de voos para retardar a propagação da doença por coronavírus (COVID-19) no Aeroporto Internacional de Birmingham, nos EUA, em 25 de março — Foto: Elijah Nouvelage/Reuters

Foto aérea mostra tendas sendo montadas para executar testes para a doença do coronavírus (COVID-19) em Tel Aviv, Israel, em 19 de março — Foto: Nir Elias/Reuters

Foto aérea mostra barqueiros atracados na margem de um rio durante um bloqueio imposto pelo governo como uma medida preventiva contra o novo coronavírus em Daca, Bangladesh, em 28 de março — Foto: Munir Uz Zaman/AFP

Centenas de barcos são vistos ancorados na marina Elliott Bay durante a epidemia do novo coronavírus (Covid-19) em Seattle, nos EUA, em 16 de amrço — Foto: Lindsey Wasson/Reuters

Centenas de táxis são vistos parados em um estacionamento do aeroporto Miami International afetados pela propagação da doença por coronavírus (COVID-19) em Miami, na Flórida, EUA, em 18 de março — Foto: Carlos Barria/Reuters

Vista aérea mostra uma academia ao ar livre vazia na costa do Mar Mediterrâneo em Tel Aviv, em 19 de março, depois que Israel pediu que as pessoas ficarem em casa para evitar a propagação da doença por coronavírus (COVID-19) — Foto: Nir Elias/Reuters

24 de março – Pessoas aguardam em cadeiras afastadas para evitar a propagação do coronavírus em uma área de espera para pedidos de comida em um shopping de Bangkok, na Tailândia — Foto: Sakchai Lalit/AP

Ônibus escolares ficam sem uso em um estacionamento na quinta-feira, 26 de março, em St. Louis, nos EUA. Todas as escolas públicas no Missouri estão fechadas devido à pandemia do coronavírus — Foto: Jeff Roberson/AP

Uma aérea mostra aérea vazia da estação central de bonde e ônibus em Zurique, na Suíça, no domingo (20). O pais já registrou mais de 14267 casos confirmados da pandemia de doença COVID-19 causada pelo coronavírus SARS-CoV-2 e pelo menos 277 mortes — Foto: Ennio Leanza/Keystone via AP

Vista aérea da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 22 de março, durante o surto da doença causada pelo novo coronavírus (COVID-19) — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Militares sérvios montam camas dentro de um salão na Feira de Belgrado para acomodar pessoas que sofrem de sintomas leves da doença do coronavírus (COVID-19) em 24 de março — Foto: Vladimir Zivojinovic/AFP

Foto aérea da rodovia Francisco Fajardo em Caracas, na Venezuela, em 28 de março, durante uma quarentena imposta pelo governo para ajudar a impedir a propagação do novo coronavírus — Foto: Matias Delacroix/AP

Foto aérea mostra o estacionamento vazio no terminal Golden Gate Ferry em Larkspur, na Califórnia, nesta segunda-feira (30) — Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP

Aviões de passageiros permanecem estacionados à beira de uma pista devido à redução do número de voos no Aeroporto Internacional Arturo Merino Benitez, em Santiago, no Chile — Foto: Pablo Sanhueza/Reuters

Pessoas com roupas de proteção passam por filas de camas em um hospital temporário de 2000 leitos criado pelo exército iraniano para pacientes com o novo coronavírus no centro de exposições internacional no norte de Teerã, no Irã, em 26 de março — Foto: Ebrahim Noroozi/AP

Táxis são vistos estacionados em uma fila devido às restrições de viagens nacionais e internacionais e preocupações com a propagação do novo coronavírus no Aeroporto Internacional de Chennai, na Índia, em 19 de março — Foto: Arun Sankar/AFP

Foto aérea de uma estação de ônibus pública em Kiev, na Ucrânia, em 22 de março. As autoridades do país decidiram fechar o transporte público a partir de domingo para fortalecer as medidas de quarentena contra o novo coronavírus — Foto: Efrem Lukatsky/AP

Barracas vazias são vistas em uma praia deserta na estância balnear de Mar del Plata, cerca de 400 km ao sul de Buenos Aires, na Argentina, em 22 de março. O governo do país ordenou um isolamento ‘preventivo e obrigatório’ vigente até o fim do mês devido ao surto de COVID-19 — Foto: Diego Izquierdo/TELAM via AFP

Foto divulgada pela Prefeitura de Barcelona, na Espanha, mostra a extensão do Hospital Vall d’Hebron ​​configurado para pacientes com coronavírus neste domingo (29). O pais confirmou outras 838 mortes em 24 horas por coronavírus, um novo registro diário que eleva o número total de mortes para 6528, segundo dados do Ministério da Saúde — Foto: Prefeitura Barcelona/Divulgação via AFP

Coronavírus: Veja fotos da “ilha dos milionários” em Miami que está testando todos os seus habitantes

Dizem que uma imagem pode valer mais que mil palavras e, atualmente em Miami, parece haver dois retratos que refletem perfeitamente o sistema de saúde dos Estados Unidos.

De um lado, filas de veículos no estacionamento de um estádio em busca de um teste para o coronavírus; de outro, uma ilha exclusiva onde mora a elite com uma clínica privada aberta somente para fazer testes rápidos para a covid-19 em todos os seus residentes e funcionários, que são mais de 1.000 pessoas.

Há muitos detalhes que não são visíveis nessas imagens, como o fato de que os testes são diferentes nos dois lugares e cumprem diferentes funções. Mas ambas evidenciam a profunda desigualdade de acesso à saúde no país.

No meio de uma pandemia como a do coronavírus, essa diferença pode determinar a diferença entre quem vive e quem morre. Não é de se estranhar, portanto, que tais fotografias venham sendo alvo de polêmica.

Fisher Island

A controvérsia cresceu depois que o jornal The Miami Herald publicou que Fisher Island, um dos bairros mais ricos dos Estados Unidos, havia decidido comprar milhares de testes rápidos de covid-19 para o Sistema de Saúde da Universidade de Miami (UHealth), uma entidade privada.

“Para minimizar ainda mais a disseminação na densamente povoada ilha, onde metade dos moradores tem mais de 60 anos e alto risco, a Fisher Island solicitou à UHealth que lhes fornecesse testes de anticorpos covid-19 para todos os seus funcionários e residentes “, afirmou à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, a porta-voz da ilha, Sissy DeMaria.

Fisher Island, colada à icônica Miami Beach, abriu um centro e os testes já estão sendo realizados, junto com outras medidas de prevenção.

A UHealth reconhece que seu serviço “pode ​​ter dado a impressão de que algumas comunidades receberiam tratamento preferencial”, mas afirma, no entanto, que essa não era sua “intenção”.

“Um dos primeiros casos confirmados de coronavírus no condado de Miami-Dade foi em Fisher Island, mais da metade da população é maior de 60 anos e muitos moradores estavam voltando do nordeste”, a zona mais atingida pela covid-19, destaca a porta-voz Lisa Worley em um breve comunicado.

O centro universitário tem colaborado com agências governamentais e de saúde pública e realizou uma iniciativa para testar anticorpos contra a covid-19 em 3.500 pessoas aleatórias na Flórida, informou a imprensa local.

‘Escandalizados’

Apesar disso, as notícias sobre Fisher Island rapidamente geraram uma onda de frustração e raiva, em razão da escassez de equipamentos e o acesso limitado a testes para o restante da população.

“Os americanos e, em parte, o resto do mundo, estão escandalizados ao descobrir que muita gente abastada pode usar seus recursos para conseguir vantagens quando tem uma necessidade médica, incluindo em uma epidemia, mas isso tem sido assim desde sempre. É algo que os americanos parecem tolerar”, aponta Arthur Caplan, diretor de Ética Médica da Universidade de Nova York.

“Os Estados Unidos nunca reconheceram o direito à saúde. Muitos americanos obtiveram sua cobertura de saúde por meio do trabalho, o que significa que, eticamente, têm de conquistá-la. E se deixam de trabalhar, a perdem.”

O sistema de saúde americano funciona em sua maioria à base de seguros privados, mas milhões de pessoas não os possuem, ou têm coberturas insuficientes.

“Quando não há um sistema que atenda a todas as pessoas, então existe um menor sentido ético de responsabilidade comunitária”, pondera o especialista.

Nesta crise, o governo está adquirindo um papel maior que o habitual em nível federal, mas em muitos aspectos, são os Estados que têm o controle, também em questões de saúde.

Na Flórida, as autoridades instalaram oito clínicas móveis nas comunidades mais afetadas, de acordo com o Departamento de Saúde.

Um dos serviços com maior demanda está localizado em um dos estacionamentos do estádio Hard Hock em Miami, onde se celebrou este ano a final do SuperBowl.

Ali, as equipes médicas realizam diariamente os chamados testes PCR, que constatam se uma pessoa tem covid-19 por meio de uma amostra recolhida do nariz ou garganta analisada em laboratório.

Esse atendimento é diferente do que é realizado na Fisher Island, onde um exame de sangue rápido pode somente determinar se uma pessoa já teve a doença, mas não se está infectada.

Dada a quantidade de pessoas que correram para o estacionamento no Hard Rock, o pessoal da saúde teve que colocar o sinal de “fechado” pouco depois de abrir as portas por vários dias na semana passada.

Essa procura levou a um aumento da capacidade, de 400 testes diários a 750, e se relaxaram os requisitos.

Outros exemplos

O caso de Fisher Island, no entanto, não é o único a evidenciar as desigualdades nessa crise de saúde, em que os Estados Unidos são a nação mais afetada em número de mortos e infectados, segundo os dados oficiais.

A imprensa americana noticiou, por exemplo, o caso de uma multinacional biomédica no Colorado que decidiu comprar testes rápidos para anticorpos covid-19 para todo um Condado, onde moram cerca de 8.000 pessoas, incluindo dois de seus executivos durante uma parte do ano.

A BBC News Mundo entrou em contato com a empresa, mas não obteve resposta.

Também ganhou fama o caso de uma comunidade de alta renda em Westport, Connecticut, que tentou o acesso a testes privados, e cita os serviços dos chamados médicos concierge, que estão oferecendo testes em domicílio.

David Nazarian é um desses profissionais. Ele tem uma clínica no luxuoso bairro de Beverly Hills, em Los Angeles, o médico observou um aumento persistente no número de consultas desde o princípio da epidemia e montou um centro de testes para atender no sistema “drive through”.

“Eu trabalhei muito desde o começo porque considero muito importante (…) É uma crise que todos estamos enfrentando. Pobres e ricos. Não é sobre isso. É sobre o que todos podemos fazer para controlar esse vírus. Se não o fizermos, não pararemos as infecções e não conseguiremos levar as pessoas a retomarem suas vidas. Essa é a pergunta mais importante, porque todos sofrerão “, acredita ele.

Sua clientela se compõe basicamente por famílias ou indivíduos do mundo do entretenimento ou altos executivos, mas o profissional assegura que seus serviços estão disponíveis a todos, por um preço que ele prefere não revelar.

No entanto, Nazarian trata uma porcentagem de seus pacientes gratuitamente há 10 anos, uma tarefa que ele continua realizando neste momento crucial, afirma ele em conversa com a BBC News Mundo.

A equipe do médico realizou testes PCR ou de anticorpos em casa ou em sua clínica móvel, assim como para as empresas, com os materiais que puderam comprar e um pouco de criatividade diante da escassez de recursos, criando alguns materiais.

“Não há nenhuma dúvida que existem desigualdades e, infelizmente, sempre foi assim. Gostaria que não fosse. Todos deveriam ter acesso a uma boa saúde. Todo o mundo deveria poder fazer o teste”, diz.

Em sua opinião, o governo deveria estar fazendo mais. “É lamentável que vivamos nos Estados Unidos e estejamos ficando para trás na capacidade de testes em relação a outros países.”

Após os problemas com os testes no início da pandemia, os EUA agora estão realizando cerca de 150.000 testes diários. Mas, na opinião dos maiores especialistas da área, o número deveria ser muito maior: entre 5 milhões e 22 milhões por dia.

“Este país é um Estado falido”, lamentava um enfermeiro anestesista de um hospital de Nova York no começo do mês, revelando um dos momentos mais trágicos de sua carreira.

O profissional, Derrick Smith, compartilhou no Facebook as últimas palavras de um paciente de covid-19 em estado crítico antes que fosse entubado e conectado a um respirador.

“Quem vai pagar por isso?”, lhe perguntou o paciente com visível dificuldade para respirar e falar, momentos antes de ligar para a esposa, pois muitos doentes “nunca se recuperam depois de entubados”, contou o profissional.

A dramática cena leva inevitavelmente a uma reflexão: será que essa pandemia brutal causará uma mudança nos EUA?

“Não apostaria nisso”, diz Caplan. Nos Estados Unidos, pondera o especialista, as ideias antigas pesam: a saúde é um privilégio, não um direito.

Himalaia – Devido a redução da poluição do ar causado pelo isolamento social durante a pandemia do coronavírus a população na Índia conseguiu ver a cordilheira de Dhauladhar

A população no estado de Punjab, no norte da Índia, estão reagindo com admiração ao ver a cordilheira do Himalaia, que está visível a mais de 160 quilômetros de distância devido à redução da poluição do ar causada pelo isolamento social durante a pandemia do coronavírus no país.

Indianos na cidade de Jalandhar e arredores postaram fotos nas redes sociais das vistas de suas casas, com alguns dizendo que não vêem os picos do Himalaia há décadas. “Pela primeira vez em quase 30 anos pude ver claramente o Himalaia devido ao isolamento social que limpou a poluição do ar. Simplesmente incrível”, escreveu Manjit Kang.

Por que foi possível ver as cordilheiras?

O fenômeno é possível devido a uma melhora dramática na qualidade do ar nas últimas semanas, depois que as indústrias fecharam, os carros saíram da estrada e as companhias aéreas cancelaram voos em resposta à pandemia de coronavírus. Delhi viu uma redução de 44% nos níveis de poluição do ar no primeiro dia de suas restrições, conforme constatou o Conselho Central de Controle de Poluição da Índia.

Enquanto isso, a qualidade do ar em Jalandhar, localizada a mais de 160 quilômetros do Himalaia, foi medida como “boa” no índice nacional do país em 16 dos 17 dias desde que o bloqueio em todo o país foi anunciado. O mesmo período de 17 dias do ano passado não registrou um único dia de “boa” qualidade do ar – e nos primeiros 17 dias de março deste ano, apenas três dias tiveram qualidade de ar “boa”.

Portanto, o período marcou um respiro não intencional, mas bem-vindo, de ar fresco para as cidades lotadas e poluídas do país. A Índia abriga 21 das 30 áreas urbanas mais poluídas do mundo, de acordo com dados compilados no Relatório Mundial de Qualidade do Ar de 2019 da IQAir AirVisual, com seis entre os dez primeiros.

O país está em lockdown por mais de duas semanas. Apenas serviços essenciais estão em operação, incluindo água, eletricidade, serviços de saúde e incêndio, mercearias e serviços municipais. Todas as outras lojas, estabelecimentos comerciais, fábricas, oficinas, escritórios, mercados e locais de culto foram fechados e ônibus e metrôs interestaduais foram suspensos.

Quantos a COVID-19 já matou na índia?

O país registrou mais de 6.000 casos de Covid-19 e 199 mortes, segundo dados da Universidade Johns Hopkins. Embora a famosa cordilheira esteja mais visível, ela também é mais deserta. Muitas de suas montanhas estão fechadas para alpinistas há quase um mês.